Casa em construção...

Separando-nos em duas metades, sentimo-nos só um.
Este já foi um blogue sobre Timor, mas não é um blogue sobre Timor. Teve momentos, mas não é um blogue sobre Medicina. Fala-se muito de política, mas não é um blogue sobre política. Fala-se de tudo, mas não é um «blogue sobretudo». Se fosse um blogue na moda, seria um não-blogue. Mas nem isso - isto é «tipo um diário».
João Moreira Pinto

[T1 em Braga (junto ao centro histórico): quarto + sala com banca e fogão + casa de banho + arrumos + marquise. Vaga em Abril.]

Quinta-feira, Setembro 08, 2005



O livro de Gonçalo Cadilhe vale pela viagem - não a do leia-o-livro-e-voe-para-o-recife-brasil, mas pelos 114941 Km percorridos por terra à volta do Mundo. As descrições são soberbas e o autor tem a preocupação de mostrar as pessoas e vivenças de cada local em que passa, numa prespectiva muito pessoal, deixando dados estatísticos e históricos para os guias turísticos.

O livro é uma boa desculpa para viajar deitado na toalha de praia numa qualquer praia alentejana (ou outra à escolha do leitor), mas cuidado com a areia. O Gonçalo Cadilhe vai mandando umas farpas à política nacional, à forma como os Portugueses pensam e vivem, aos costumes cá da «terrinha» (como ele lhe chama). Nos intervalos, surgem as críticas à hegenomia americana, às multinacionais sem escrúpulos, etc. Por isso, ler e viajar com as devidas vacinas. O anti-patriotismo bacoco é moda antiga em Portugal e encontra-se a cada passo no fascínio português por tudo que é estrangeiro. O anti-americanismo é mais recente, mas também se encontra facilmente em qualquer papelaria de bairro.

«Qualquer carro que circule numa cidade do Peru é potencialmente um táxi. Todos os veículos apitam em uníssono, a tentar chamar a atenção dos transeuntes, declarando a sua disponibilidade para levar qualquer passageiro a qualquer parte da cidade. As papelarias vendem uns cartazes coloridos que dizem «Táxi» - um automóvel quando sai à rua põe o cartaz no vidro. E apita.»