
O livro de Gonçalo Cadilhe vale pela viagem - não a do leia-o-livro-e-voe-para-o-recife-brasil, mas pelos 114941 Km percorridos por terra à volta do Mundo. As descrições são soberbas e o autor tem a preocupação de mostrar as pessoas e vivenças de cada local em que passa, numa prespectiva muito pessoal, deixando dados estatísticos e históricos para os guias turísticos.
O livro é uma boa desculpa para viajar deitado na toalha de praia numa qualquer praia alentejana (ou outra à escolha do leitor), mas cuidado com a areia. O Gonçalo Cadilhe vai mandando umas farpas à política nacional, à forma como os Portugueses pensam e vivem, aos costumes cá da «terrinha» (como ele lhe chama). Nos intervalos, surgem as críticas à hegenomia americana, às multinacionais sem escrúpulos, etc. Por isso, ler e viajar com as devidas vacinas. O anti-patriotismo bacoco é moda antiga em Portugal e encontra-se a cada passo no fascínio português por tudo que é estrangeiro. O anti-americanismo é mais recente, mas também se encontra facilmente em qualquer papelaria de bairro.
«Qualquer carro que circule numa cidade do Peru é potencialmente um táxi. Todos os veículos apitam em uníssono, a tentar chamar a atenção dos transeuntes, declarando a sua disponibilidade para levar qualquer passageiro a qualquer parte da cidade. As papelarias vendem uns cartazes coloridos que dizem «Táxi» - um automóvel quando sai à rua põe o cartaz no vidro. E apita.»

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